A preocupação com relação aos temporais intensificou-se durante as últimas décadas, devido ao incremento de desastres e à tendência crescente dos efeitos destrutivos que se concentram em amplos setores da população.

Dessa forma, os temporais começaram a ser considerados não apenas sob a perspectiva humanitária ou social, mas também do ponto de vista econômico, reforçando-se a hipótese de que esses eventos podem se tornar um sério obstáculo ao desenvolvimento, impactando negativamente a produção industrial e o comércio.

Pensando nisso, abordamos ao longo deste artigo o poder devastador dos temporais e os consequentes danos que eles podem impor aos indivíduos e à sociedade em geral. Boa leitura!

O poder de devastação dos temporais

Os meios de comunicação divulgam quase que diariamente as perdas associadas aos temporais, atribuídas à neutralização do crescimento econômico real e à minimização dos aparentes avanços alcançados pelos mecanismos tradicionais de desenvolvimento.

Isso se torna ainda mais grave em uma matriz produtiva como a que temos em nosso país, na qual o escoamento de quase a totalidade dos bens produzidos depende exclusivamente do transporte rodoviário (o primeiro, embora não único, elemento afetado pelos temporais).

Com efeito, os governos se veem obrigados a agir para a reabilitação e a reconstrução de áreas afetadas. Isso representa um verdadeiro sacrifício para o contribuinte, sobretudo em tempos de crise econômica nos quais a escassez de recursos é permanente e a margem para despesas adicionais e não programadas praticamente inexiste.

À luz de inúmeras experiências, pode-se verificar que a reabilitação e a reconstrução foram possíveis mediante a combinação de uma série de medidas que, embora variem dependendo do momento e da situação econômica específica da região afetada, seguem o mesmo padrão:

  • realocação de recursos fiscais e oriundos da poupança interna;

  • reorientação de empréstimos (bilaterais ou multilaterais);

  • obtenção de financiamento externo suplementar.

Essas medidas emergenciais tendem a resultar no adiamento ou supressão de projetos de cunho social que foram previamente incluídos nos orçamentos (leis de meios) e nos planos de desenvolvimento de longo prazo.

A importância do contexto

Todos sabem que um mesmo temporal é capaz de originar diferentes desastres, de acordo com a região afetada. A diversidade dos impactos não se relaciona, somente, com a gravidade do fenômeno mas, principalmente, com a capacidade de resiliência apresentada pela sociedade local.

Assim, por exemplo, no caso dos temporais que atingem regiões turísticas, os efeitos podem ser menores, devido à infraestrutura consolidada desses locais, em comparação a áreas mais remotas, em que uma ameaça de menor intensidade pode surtir efeitos mais graves.

Outro exemplo da importância do contexto pode ser encontrado nas pequenas comunidades que sofrem continuamente problemas associados às tempestades, como inundações e deslizamentos de terra. Nessas localidades, a recorrência do fenômeno e as perdas econômicas de pouca monta fazem com que sua situação seja praticamente ignorada do grande público, a despeito das perdas e danos sofridos que se acumulam com o passar do tempo.

A partir desse ponto, encontramos uma diferença substancial que equivale a afirmar que os temporais não devem sem compreendidos apenas como eventos que produzem destruição em rodovias das grandes metrópoles. Sua magnitude é relativa, uma vez que, até mesmo, temporais de menor intensidade produzem impactos sérios que não devem ser negligenciados pelo público, nem pelas autoridades.

Isso significa que cada comunidade, cidade, região ou país vivencia essa situação a partir de suas próprias condições de risco e dos mecanismos que desenvolve para enfrentá-la.

A complexidade da mensuração dos prejuízos

A faixa total de perdas geralmente é muito ampla e inclui danos dos mais variados tipos. Nesse rol, podemos incluir tanto o que as metodologias convencionais chamam de efeitos diretos quantos os chamados efeitos indiretos.

Os danos diretos incluem falta de energia elétrica, atraso no transporte de produtos, mortes, bloqueios de estradas, prejuízos financeiros, entre outros. Os danos indiretos, por sua vez, não são quantificáveis em termos absolutos, embora possam ser estimados por meio de diferentes indicadores.

No entanto, há prejuízos que apresentam uma maior dificuldade para a mensuração realista do impacto produzido por uma tempestade. Além disso, esse tipo de dano inclui muitos dos chamados “efeitos colaterais”. 

As consequências dos danos às rodovias

Mais do que apenas permitir o deslocamento de pessoas e veículos, as rodovias são um recurso fundamental para o desenvolvimento econômico de uma nação. Infelizmente, nem todos os prejuízos que se abatem sobre elas podem ser facilmente mensurados ou quantificados com base em critérios puramente econômicos. São eles:

  • inconvenientes como mudança temporária ou permanente de residência, perda de emprego, absenteísmo escolar forçado, problemas de saúde, elevação no custo de atendimentos médicos, entre outros;

  • redução da quantidade de horas trabalhadas;

  • diminuição na produtividade do trabalho;

  • diminuição da produtividade agrícola (em temporais ocorridos em áreas rurais);

  • migração;

  • alterações no mercado imobiliário e fundiário;

  • impacto negativo sobre as atividades de subsistência;

  • impacto negativo sobre atividades produtivas ou comerciais informais;

  • interrupção da vida cotidiana (em seus aspectos econômicos e sociais);

  • estresse;

  • perdas ou danos a locais e prédios históricos;

  • perdas ou danos a obras de arte;

  • perdas ou danos ao patrimônio científico;

  • efeitos negativos sobre ecossistemas e consequentes impactos sobre atividades econômicas ou padrões de vida fortemente associados a eles;

  • conflitos políticos;

  • desarticulação da base familiar devido à perda ou incapacitação de qualquer um de seus membros;

  • elevação no custo de oportunidade.

Outro prejuízo econômico provocado pelas tempestades que se abatem sobre as mais importantes rodovias do Brasil continua sendo o efeito causado pela morte ou incapacitação de cidadãos economicamente ativos. Esse assunto vem sendo, há muito tempo, debatido na literatura especializada.

Entre as estimativas que obtiveram o maior nível de consenso entre os especialistas, encontra-se a clássica metodologia da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, órgão da ONU).

Esse método considera que o valor de uma vida humana (sem contar os custos associados aos trabalhos de resgaste e tratamento destinado a pessoas que se incapacitaram em decorrência de desastres provocados por temporais) representa, em média, de sete a 10 vezes o PIB per capita. A projeção desse valor é obtida a partir da atividade profissional desses indivíduos em anos futuros.

Como vimos, o conhecimento acerca dos temporais é fundamental para assegurar a previsibilidade de possíveis eventos que corroam o planejamento de sua empresa, de modo que resulta essencial acompanhar as atualizações de organismos confiáveis e reconhecidamente competentes.

Gostou do artigo? Então, fale com um de nossos consultores e descubra as melhores soluções para ajudar no seu planejamento!