Com certeza você já ouviu várias vezes que “uma frente fria vai mudar o tempo”.  Você deve ter ficado feliz, se você gosta mais de um friozinho, ou triste se gosta de sol e calor. Mas você sabe o que é frente fria? Você sabia que, além da frente fria, existem outros tipo de frentes?

Continue essa leitura para conhecer mais sobre o mundo da meteorologia e saber exatamente porque o tempo muda quando vem uma frente fria.

Afinal, o que é uma frente na meteorologia?

Por definição, uma frente é a divisa entre duas massas de ar com características distintas. Essas características podem ser de temperatura (fria ou quente), pressão, direção do vento e umidade, por exemplo.

Assim, existem 4 tipos de frente:

  • Frente fria;
  • Frente quente;
  • Frente estacionária;
  • Frente oclusa.

Cada tipo de frente tem a sua devida característica e influencia de forma diferente, seja na temperatura ou na chuva. Algumas são mais comuns, como a frente fria, ou menos comuns no Brasil, como a frente oclusa, mas todas estão associadas à uma área de baixa pressão e geralmente temos mais de um tipo de frente associada à mesma baixa pressão.

Veja a seguir as características e as influências que cada frente tem, principalmente aqui no Brasil:

Frente Fria

A frente fria é a mais comum de ouvirmos nas rádios, nos noticiários e até mesmo, em elevador e nas conversas de bar. A frente fria é o choque entre uma massa de ar frio, vinda do sul – geralmente vinda da Argentina, com uma massa de ar quente, sobre o interior do país.

A frente fria é representada por triângulos azuis que apontam para onde a massa de ar frio avança.

Na divisa entre as duas massas de ar (região que define a frente fria) formam-se as nuvens de chuva, dentre elas, as famosas Cumulonimbus que costumam provocar fortes temporais. Quanto maior for o choque entre as massas de ar, ou seja, quanto maior a diferença de temperaturas entre as massas de ar, mais forte tende ser a chuva.

Outro fato importante de se ressaltar é o tipo da chuva da frente fria. Geralmente, a frente fria provoca chuva generalizada, de forte intensidade, com ventos, raios e possíveis quedas de granizo, que são características da Cumulonimbus.

Logo atrás da frente fria sempre tem uma área de alta pressão que tem efeito duplo. Primeiro, ela joga umidade do oceano para o continente por um ou dois dias após a passagem da frente fria. Após isso, o tempo volta a ficar firme e aí sim, vem a massa de ar frio, que despenca as temperaturas.

Um fato muito interessante sobre a frente fria é que antes da chegada da massa de ar frio, as temperaturas costumam subir. Isso porque os ventos que sopram do interior do Brasil acabam ganhando força. E é justamente isso que, muitas vezes, nos dá a sensação de que esfriou muito.

Frente Quente

A frente quente é muito semelhante à frente fria e, apesar de não ouvirmos falar muito, ela é bem comum no Brasil. A frente quente é quando uma massa de ar quente avança sobre a massa de ar frio. Ela é representada por semicírculo em vermelho apontando na direção que a massa de ar quente avança.

Então, a grande diferença entre as duas frentes está justamente nas temperaturas. Enquanto que na frente fria as temperaturas caem, na frente quente isso já não acontece pois não tem o avanço de uma massa de ar frio.

Assim como a frente fria, a frente quente também provoca chuva. A diferença aqui está no tipo da nuvem que provoca chuva, tendo como principal mandante a nuvem Nimbostratus. Apesar de parecer nome de uma vassoura do Harry Potter, essa nuvem tem como grande característica chuva forte porém, sem raios ou granizo mas que podem provocar alagamentos e deslizamentos.

Muitas vezes a mídia simplifica a frente quente falando que é frente fria. Isso acontece por dois simples motivos: o primeiro é que a audiência já está acostumada a ouvir frente fria e não frente quente; o outro é que ambas as frentes provocam chuva.

Frente Estacionária

Esse tipo de frente não é raro mas também não é tão comum. Ela ocorre quando não há avanço nem da massa de ar frio nem do ar quente. Com isso, a zona de transição entre as massas de ar fica estacionada, provocando muita chuva.

A frente estacionária é representada por triângulo azul na direção que a massa de ar frio tenta avançar alternado com semicírculo vermelho na direção que a massa de ar quente tenta avançar. Ou seja, é uma mistura entre os símbolos da frente fria e da frente quente.

A grande característica da frente estacionária é de manter o tempo fechado com chuva constante, sem raios, porém que pode gerar altos acumulados de chuva se ficar atuando por muito tempo.

Frente Oclusa

Essa é mais incomum de ocorrer sobre o Brasil e também a mais difícil de explicar. Mas não impossível.

Como falado anteriormente, toda a frente está associada à uma área de baixa pressão, ou seja, ventos que giram no sentido horário. Com isso, as frentes também acabam tendo uma rotação horária.

A frente oclusa ocorre quando a frente fria gira muito rápido e acaba alcançando a frente quente (lembrando, geralmente temos mais de uma frente associada a mesma área de baixa pressão), com isso há uma oclusão.

A frente oclusa é representada por triângulos alternados com semicícrulos apontando para a mesma direção e tudo na cor roxa. Essa frente não é comum de ocorrer sobre o Brasil simplesmente pela posição geográfica. Mas também costuma provocar chuva forte por curto tempo alternado com período de sol. É um dia que você não sabe o que São Pedro quer.

Geralmente, as áreas de baixa pressão que dão origem às frentes passam próximas à costa, com isso a frente oclusa fica ao sul da baixa pressão, ou seja, sobre o oceano. 

Porém, no inverno a parte final da frente oclusa fica próximo da divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, às vezes, chegando até a serra gaúcha e catarinense. Quando a chuva da frente oclusa coincide com uma massa de ar frio muito intensa, é comum ter precipitação em forma de neve nas serras dos estados citados acima.

Existe alguma frente perigosa?

De certa forma, a frente fria é a mais perigosa pelos simples fatos de ser a frente mais comum no Brasil e por produzir as Cumulonimbus que provocam fortes temporais. Afinal, quem nunca ficou com medo de ficar parado no trânsito no meio de uma chuva intensa? Ou então, quem não passou aquele friozinho depois de uma entrada de massa de ar frio?

Mas vale ressaltar que a frente estacionária também merece uma atenção especial. Entre o final da primavera e o verão, é comum as frentes estacionárias atuarem entre o Sudeste e a Bahia e com isso canalizam a umidade da Amazônia, provocam dias consecutivos de muita chuva. O resultado? Desastres como deslizamentos de encosta, alagamentos e transbordamento.

Quando isso acontece, normalmente temos a ocorrência de dois fenômenos meteorológicos: a ZCOU (Zona de Convergência de Umidade) e a ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) e a diferença entre elas está apenas na duração. Quando o corredor de umidade da Amazônia atua por até 3 dias seguidos, recebe o nome de ZCOU, quando fica além desse período, recebe o nome de ZCAS.

Dois grandes exemplos disso foram: Um em  2019, em Salvador nos dias 26 e 27 de novembro, quando a cidade recebeu 186mm de chuva em 48 horas, ou seja, 89% da média do mês inteiro, segundo o INMET. O outro, mais conhecido pelos deslizamentos, foi em Angra dos Reis na virada de 2009 para 2010 quando teve 5 dias seguidos de muita chuva.

É importante ter em mente também que as chuvas não provocam somente desastres. Os reservatórios de abastecimento e de energia são beneficiados com dias seguidos de muita chuva. Lembrando que, quanto mais chuva um reservatório recebe e quanto maior for o nível, mais barato tende a ficar o preço da energia.

Agora você já sabe muito sobre todos os tipo de frentes que existem na meteorologia, seja para se preparar para uma possível chuva forte ou frio, seja para conversar numa roda de amigos e família ou até mesmo, para divulgar na mídia. 

Quer saber mais como a meteorologia pode te ajudar nisso? Entre em contato com a Somar Meteorologia.