Quando as pessoas vão à academia praticar seus treinos, jogam suas partidas de tênis e futebol ou fazem uma corrida matinal, dificilmente pensam na temperatura registrada do lado de fora. Normalmente, essa relação de influência do clima nos esportes só é feita quando está chovendo — e a preguiça de praticar uma atividade se torna muito maior.

Os fatores meteorológicos podem não afetar tanto a rotina de exercícios físicos do dia a dia, mas devem ser levados em consideração pelos esportistas de alto desempenho. Quando se participa de competições, a atenção tem que ser ainda maior .

Neste artigo, vamos explicar mais sobre a relação que existe entre o tempo e os esportes, para que as práticas sejam sempre prazerosas e seguras. Boa leitura!

Qual é a influência do clima nos esportes?

O corpo humano tem uma grande capacidade de adaptação aos mais diversos tipos de ambientes. Enquanto populações como os tuaregues vivem em condições de grandes variações de temperatura e baixíssima umidade do ar no Deserto do Saara, os inuítes suportam os ambientes gelados das regiões árticas, onde há neve e gelo praticamente todo o ano.

Com alguma dificuldade, um inuíte seria capaz de se adaptar à vida no deserto (e um tuaregue, à vida no gelo). Mas, para tanto, precisariam de algum tempo até que o corpo começasse a realizar o processo de aclimatação. Trata-se de adaptações hormonais que permitem ao corpo entender as novas funções fisiológicas que deve realizar nas condições climáticas às quais está sendo exposto.

Esse processo regula funções como: quantidade de suor que precisa ser produzida, quando liberá-lo; temperatura; adaptação das células aos níveis disponíveis de oxigênio e quantidade de sangue no corpo.

Tais mudanças começam imediatamente após a chegada ao lugar, mas a total adaptação do organismo demora algum tempo para acontecer. De acordo com estudos da década de 1960, uma pessoa leva cerca de 10 a 14 dias para começar a sentir os efeitos da aclimatação. Quanto mais tempo ela passar no ambiente, mais adaptada estará.

Quando falamos de esportes, essa informação é fundamental. Considere, por exemplo, que um atleta europeu vá para uma competição em um país equatoriano, como o Brasil. Ele precisará de algum tempo até que seu organismo se adapte à mudança de temperatura e às demais condições climáticas, iniciando o processo de aclimatação, ou o seu desempenho ficará prejudicado.

Que fatores devem ser considerados?

O primeiro fator que nos vem à cabeça é sempre a temperatura — principalmente se lembrarmos dos jogadores de futebol do norte europeu disputando os jogos da Copa do Mundo de 2014 sob o sol do Ceará. Mas outras variáveis climáticas influenciam nas práticas esportivas. A seguir, veja quais são elas!

Umidade do ar

Para a prática de esportes, principalmente aqueles ao ar livre, a umidade relativa do ar ideal fica entre 40% e 70%. Quando está muito seco, os atletas podem apresentar sintomas como ardor nos olhos, no nariz e na garganta. Além disso, doenças cardíacas e respiratórias podem ser agravadas.

Já quando a umidade está alta demais, a produção de suor pode ser dificultada, levando ao aumento da temperatura interna do corpo. Como consequência, o atleta se sente mais cansado. Isso afeta tanto os esportes de explosão quanto o salto a distância, o tiro de 100 metros livres, o atletismo e a natação, além daqueles de resistência, como o futebol ou o tênis.

Velocidade do vento

Quase todas as modalidades dos esportes náuticos podem ser profundamente afetadas pela velocidade e direção dos ventos. A competição de vela, por exemplo, é uma das que dependem diretamente desse fator meteorológico. A natação de águas abertas, praticada nos oceanos, mares e canais, é outra modalidade que não pode acontecer se os ventos estiverem fortes demais, provocando ondas muito altas. Isso pode colocar a própria segurança dos atletas em risco.

Mas quem fica em terra também é afetado. O arremesso de dardos e as provas de velocidade das corridas também sofrem com isso. Já imaginou tentar bater o recorde olímpico na corrida dos 100 m com um vento de 60 km/h soprando no sentido contrário? É praticamente como correr com bolas de ferro amarradas aos pés, concorda?

Incidência de chuvas

Esportes praticados ao ar livre sempre estão sujeitos aos níveis de precipitação. Porém, se houver chuvas intensas ou elas vierem acompanhadas por descargas elétricas, a prova pode se tornar impraticável.

Esportes como a canoagem, se forem praticados em lagos ou represas naturais, podem ficar ameaçados com o risco de uma tromba d’água do rio. Já as modalidades praticadas em campo ou quadras estão sujeitas ao alagamento dos terrenos, que impossibilitariam a realização da prova.  

Ressacas no mar

Mais uma vez, estamos falando das modalidades que são praticadas em águas abertas. Na hora de planejar uma prova, é fundamental saber se as águas estarão tranquilas ou agitadas e, também, quais correntes marítimas passam pela zona, sua movimentação e as características de suas águas. Isso garante a segurança dos atletas de esportes como o mergulho com cilindro e em apneia, a natação em águas abertas, o triatlo, a vela e vários outros que são praticados no mar.

Visibilidade

Muitos esportes de inverno também acontecem a céu aberto e em ambiente de montanhas. Mas, para que a segurança dos atletas não seja ameaçada, é fundamental que haja uma boa visibilidade.

As provas de esqui, por exemplo, não podem ser realizadas se houver uma nebulosidade ou tempestade de neve que impeça os competidores de enxergarem a pista e os obstáculos. O mesmo pode ser dito quanto ao montanhismo e à escalada, seja no inverno ou não.

Radiação solar

Em algumas modalidades, como a marcha atlética, o triatlo, o vôlei de praia e a maratona, os competidores passam muito tempo sob o sol. Uma radiação solar muito forte pode causar queimaduras graves. No caso do vôlei de praia, a luz solar ainda pode dificultar a visualização da bola, prejudicando a dupla que estiver de frente para o sol.

Temperatura

Este artigo não estaria completo se não falássemos das temperaturas. Apesar de não serem os únicos fatores que influenciam os esportes, definitivamente são aspectos a serem levados em consideração. Nas baixíssimas temperaturas, como as enfrentadas pelos atletas que disputam os jogos de inverno, deve haver uma preocupação extra com a proteção das extremidades. Mãos, pés, orelhas e nariz precisam ficar protegidos para não terem a circulação sanguínea interrompida.

Já nas altas temperaturas, os atletas devem dobrar os cuidados com a hidratação. Com o calor, a produção de suor aumenta. Como consequência, os competidores devem aumentar a ingestão de água e sais minerais.

Como a meteorologia atua nesse setor?

Para os esportes, a meteorologia é fundamental em dois aspectos: no planejamento das provas e na preparação física dos atletas. A organização de um evento deve levar em consideração os dados meteorológicos para promover uma competição que garanta condições justas aos competidores e à segurança desses profissionais.

Além disso, caso haja condições extremas no dia da prova, pode ser necessário considerar o cancelamento ou adiamento da disputa. Um ou dois dias podem fazer uma diferença enorme nas condições do tempo.

Já os preparadores físicos devem levar em consideração os aspectos climáticos e meteorológicos para orientar o condicionamento físico dos atletas. Algumas vezes, é preciso planejar a viagem com algum tempo de antecedência em relação à prova, para que o organismo tenha tempo de se aclimatar. Em outras, é recomendado simular as condições da prova em um ambiente controlado.

Assim como em outras atividades, entender a influência do clima nos esportes é importante do ponto de vista do planejamento. De posse dessas informações, os organizadores e competidores podem otimizar seus esforços e garantir uma boa realização das provas.

Se este artigo foi útil para você, temos certeza de que gostará de entender um pouco mais sobre meteorologia. Nos vemos no próximo conteúdo!