Você já se perguntou como é feita a previsão do tempo? Essa ciência é relativamente nova e, por muitos anos, foi bastante desacreditada, principalmente no Brasil. Mas o serviço de meteorologia tem um papel fundamental em diversos setores da economia, que vão do agronegócio à aviação civil.

Os meteorologistas precisam não só ficar atentos às variações climáticas, como também aos seus impactos na sociedade. Muitas atividades são influenciadas pelo tempo e pelo clima, e fazer essa ponte entre a previsão e a aplicação é fundamental.

Pensando nisso, preparamos este post para explicar como é feita essa previsão. Ficou interessado no assunto? Continue sua leitura!

Como é feita a previsão do tempo
Fazer uma estimativa de como estará o tempo nos próximos dias e nas próximas semanas nem sempre é uma tarefa fácil. Alguns fatores — fenômenos naturais como El Niño e La Niña, correntes marítimas — podem interferir muito nas condições meteorológicas de uma região e mudar o cenário rapidamente.

Institutos de pesquisa no Brasil e no mundo desenvolvem softwares conhecidos como modelos meteorológicos. Com eles, é possível prever o que vai acontecer, resolvendo equações complexas que fazem verdadeiras radiografias da atmosfera.

A previsão do tempo busca realizar uma descrição bem detalhada do que pode acontecer futuramente na atmosfera, em uma região específica. Esse estudo envolve o conhecimento e as informações de inúmeras variáveis, como a temperatura observada, a análise da formação de nuvens, a pressão atmosférica, a umidade relativa do ar, a direção e a velocidade do vento, entre outros dados.

A meteorologia só começou a tomar uma forma mais parecida ao que é hoje a partir da 2ª Guerra Mundial. Após a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), os países iniciaram um trabalho em equipe e surgiu a Organização Meteorológica Mundial (OMM), no ano de 1950. No Brasil, o órgão nacional de meteorologia vinculado à OMM é o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

Dessa forma, por meio do conhecimento e dos dados coletados de diferentes áreas, os modelos meteorológicos são alimentados e, a partir de potentes computadores, faz-se a análise das condições do estado inicial da atmosfera e criam-se previsões baseadas em probabilidades. No entanto, mesmo com toda essa tecnologia, muito da previsão vem da análise técnica dos meteorologistas. Eles examinam as simulações e as concluem após fazerem as correções que forem necessárias.

Tecnologias empregadas na previsão do tempo
Sem tecnologia não há previsão do tempo. São utilizados diversos aparatos como radares, estações meteorológicas, sensores, balões e satélites, que coletam informações em todas as camadas da troposfera terrestre. Supercomputadores fazem a análise das condições atmosféricas e a leitura de informações e de imagens, alimentando os modelos meteorológicos.

Apesar da avançada tecnologia, a participação humana é fundamental para que haja uma leitura correta dos dados observados e um prognóstico para o futuro. Vamos entender, agora, como funciona na prática.

Estação de superfície
A coleta de dados meteorológicos é realizada de forma manual e automática, por meio da instalação de estações meteorológicas. Nelas, há equipamentos que obtêm informações sobre direção e velocidade dos ventos, temperatura, umidade, chuva, evaporação, radiação solar e pressão atmosférica, por exemplo.

Uma vez que os dados tenham sido captados em horários preestabelecidos segundo normas rígidas da OMM, eles são distribuídos ao redor do globo para serem utilizados como referência de informação meteorológica. Cabe ao meteorologista avaliar a procedência e a confiabilidade da fonte de dados para, aí sim, usá-los em seu dia a dia.

Radares meteorológicos
Esses radares são fundamentais para detecção de nuvens de tempestade severa e na chamada “previsão de tempo de curtíssimo prazo” ou “nowcasting”, já que é possível determinar para onde uma nuvem de chuva irá e seu potencial destrutivo. Existem alguns tipos de radares meteorológicos, mas todos possuem uma antena emissora e receptora de ondas eletromagnéticas. Essas ondas fazem uma varredura do céu e transmitem as informações encontradas de maneira gráfica, para análise em um mapa.

Satélites
O satélite meteorológico é um instrumento que consiste de sensores e câmeras especiais. Eles registram diferenças mínimas de temperatura, como uma grande máquina fotográfica, e traduzem a informação para imagens que cobrem quase todo o globo. O satélite é lançado no espaço a partir de uma base aérea e fica a cerca de 800 km de altitude, a partir da superfície terrestre.

Nas imagens enviadas pelo aparelho, é possível identificar nuvens baixas, médias e altas e, assim, auxiliar o meteorologista no diagnóstico dos fenômenos atmosféricos. Há, ainda, detecção de áreas suscetíveis a queimadas e nevoeiros, a atividades vulcânicas e outros.

Detecção de raios
Descargas elétricas da atmosfera representam perigo para qualquer atividade ao ar livre, além de ser um risco para equipamentos, animais e florestas. O monitoramento meteorológico é essencial para operações logísticas que envolvam atividades a céu aberto com grande concentração de pessoas, como eventos, indústrias e criação de gado.

A detecção é feita por meio de antenas espalhadas, que rastreiam mudanças no campo eletromagnético da troposfera e, assim, as ocorrências de raios. Um bom conjunto de antenas consegue precisão de até 200 metros no registro da descarga.

Balões meteorológicos e radiossondas
Radiossondas são instrumentos destinados a estudar a atmosfera em profundidade, desde o solo até a camada estratosférica. São importantes para a análise das camadas de ar e sua propensão à formação de fenômenos atmosféricos. Esses mecanismos, bastante utilizados também em aeronáutica, são acoplados a balões de gás e utilizados para estimar a velocidade e a direção dos ventos, a pressão, a temperatura e a umidade, conforme vão se elevando no céu.

Boias oceânicas
São equipamentos náuticos que fazem a medição de informações oceânicas e atmosféricas, complementando a rede de estações meteorológicas em todo o mundo. Existem diversas boias espalhadas na superfície dos oceanos e acopladas a navios. Mas, como nosso planeta é formado por dois terços de água, o número de boias no mar ainda é considerado bem abaixo do ideal.

O papel dos meteorologistas
Depois de captados nas estações meteorológicas, os dados provenientes do mundo todo são reunidos em uma “carta de tempo”. Trata-se de um extenso compilado de diferentes mapas do tempo que mostram os sistemas meteorológicos em atuação na atmosfera.

No entanto, esses mapas sozinhos dizem pouco — ou quase nada. Quem vai atribuir os significados a esses dados, por meio da interpretação, são os profissionais meteorologistas, que têm a qualificação necessária para entender o que cada mapa quer dizer e traduzir para o público leigo.

Filtrando os dados
Os modelos numéricos que geram os gráficos da previsão do tempo têm uma série de limitações. Apesar de tentarem simular os fenômenos que acontecem na atmosfera da melhor forma possível, momento a momento, esses modelos não são perfeitos. Assim, cabe ao meteorologista a tarefa de decidir qual a melhor interpretação daqueles dados, de forma a tentar prever, com a maior acurácia possível, o que vai acontecer nos céus nos próximos dias.

Esse processo de interpretação e tomada de decisões funciona melhor quando feito em grupo. Assim, vários meteorologistas experientes podem confrontar suas ideias e chegar a um consenso do que os dados realmente querem dizer. Essa decisão leva em conta fatores como a geografia, a vegetação e o clima de cada região.

É por se tratar de um sistema tão complexo que a previsão do tempo não acerta cem por cento das vezes. Em alguns casos, pode acontecer de uma chuva inesperada cair no meio do dia, por exemplo, contrariando o que disse a meteorologia. Faz parte de uma ciência que lida com incertezas.

Depois de feito todo o processo de análise e interpretação dos dados, é hora de começar a elaborar os relatórios. Ou seja, os previsores do tempo ainda precisam transformar todos aqueles números, dados e gráficos em textos e infográficos que sejam de compreensão mais fácil para o público final — seja ele os clientes do serviço especializado ou os leitores no site do serviço.

O futuro da previsão do tempo
Sistemas automatizados, satélites, sensores, radares e supercomputadores representam os grandes avanços para a ciência da meteorologia, em todo o mundo. A capacidade de processamento dos computadores também está cada vez mais notável e as ciências atmosféricas são as principais usuárias dessa evolução. Como consequência, as estratégias operacionais foram otimizadas, de modo que as pessoas que atuam na área conseguem captar dados que jamais imaginariam conseguir alguns anos atrás.

Novos métodos de programação permitem simulações que usam cada vez mais variáveis, de modo que ficam mais precisas. Além disso, o avanço da comunicação permitiu que qualquer pessoa tenha acesso ao registro das condições meteorológicas e à previsão em tempo real, por meio de um smartphone.

Apesar do grande avanço, precisamos considerar todos os fatores que compõem o modo como é feita a previsão do tempo, isto é, um esforço conjunto resultando em um trabalho de alcance global. A tecnologia é muito importante e precisa, porém não existe uma ligação direta em possuir equipamentos de ponta e resultados excelentes. Assim, acaba sendo o ser humano quem faz a diferença na obtenção de previsões corretas.

Gostou do nosso? Então curta nossa página no Facebook e fique informado de todos os conteúdos relevantes que postamos por lá!