Na sociedade ocidental atual, há um distanciamento entre as ações humanas e as forças da natureza. Como se o mercado e os fatores econômicos fossem uma dinâmica à parte, que não se relaciona com os fenômenos naturais.

No entanto, é irreal pensar que as rotinas de pessoas e empresas não sejam influenciadas por acontecimentos como as correntes marítimas. Elas são um exemplo de fenômeno que tem impacto no clima das cidades, dos estados e até dos países, com consequências diretas sobre atividades econômicas como a pesca e os agronegócios.

Quer saber mais sobre como os mares interferem na vida das empresas? Nosso post desvenda essa relação. Continue a leitura!

O que são correntes marítimas?

As correntes são massas de água que se deslocam em diferentes direções, cruzando oceanos e mares por todo o planeta. Elas são formadas pelos ventos na superfície terrestre e sofrem influência da própria rotação da Terra, que faz com que essas águas se movimentem em direção contrária — no hemisfério norte, em sentido horário e, no hemisfério sul, no anti-horário. 

Essas massas de água têm características próprias, como temperatura, cor e salinidade, que se mantêm inalteradas conforme elas viajam pelos oceanos e mares. Ou seja, as correntes marinhas não se misturam com as águas dos locais por onde passam. Por conta dessas peculiaridades, as correntes acabam influenciando todo o ecossistema dos ambientes que percorrem, interferindo na vida marinha, no equilíbrio dos oceanos e mares e no clima

 

De que forma elas influenciam no clima?

As correntes marítimas carregam consigo umidade e calor, interferindo no clima das regiões por onde transitam. Veja, a seguir, alguns fatores que são afetados por essas massas.

Distribuição das temperaturas

As partículas de água transportadas pelas correntes marinhas promovem uma distribuição de temperaturas ao longo dos lugares por onde passam. Isso impede, por exemplo, que locais sob uma maior radiação solar fiquem continuamente mais quentes, enquanto os polos são sempre mais frios.

Formação de desertos

Correntes frias e secas, como a de Humboldt, exercem um papel importante na formação dos desertos. Por apresentarem temperaturas baixas, elas não geram muita evaporação de água. Dessa forma, os ventos que se deslocam junto com elas têm uma menor umidade relativa do ar.

Isso faz com que todo o ambiente ao redor da corrente fique mais seco, atraindo o ar úmido que passa por lá. O resultado é uma baixa umidade nas localidades litorâneas próximas. Conjuntamente a outros fatores atmosféricos, essa sequidão forma, por exemplo, o Deserto do Atacama, no norte do Chile.

 

Formação de nevoeiros

Quando uma corrente fria se desloca para uma região de temperatura mais quente, o ar que se encontra sobre ela se resfria e se condensa, formando, assim, os nevoeiros de ar marítimo. A maioria das correntes frias se encontra em áreas costeiras. Por isso, a maior parte desses nevoeiros ocorre em zonas próximas aos continentes.

 

Contorno dos litorais

Além das temperaturas e da umidade que carregam, as correntes marítimas têm várias outras características: velocidade de deslocamento, profundidade por onde circulam e as suas direções — o que distingue uma das outras. Algumas correntes têm uma trajetória que vai do fundo dos mares e oceanos em direção à superfície. Isso faz com que elas carreguem sedimentos que se depositam na costa. Esse movimento molda os contornos dos litorais por onde passam.

 

Deslocamento de icebergs

Os icebergs são blocos gigantescos de gelo, que têm a maior parte da sua massa submersa e uma pequena ponta que emerge sobre a superfície dos oceanos. Algumas correntes marítimas de grande densidade e volume são capazes de deslocar esses blocos de gelo. Quando isso acontece, o próprio iceberg — uma massa enorme de água congelada — pode interferir nas características da corrente, afetando o clima na região e, potencialmente, de todo o planeta

Quais são as principais correntes marítimas da Terra?

Algumas dessas massas de água já foram mapeadas pela oceanografia, e suas influências sobre o clima das diversas regiões já foram descritas. Veja, a seguir, as principais correntes marinhas e de que forma elas impactam o clima na superfície terrestre.

 

Corrente do Golfo

Essa massa de água se movimenta no globo em sentido sul-norte pela costa dos Estados Unidos e pela Europa, se deslocando em alta velocidade e com temperaturas altas. Ela é gerada pelos ventos no Golfo do México e mantida pela sua própria circulação.

Em seu trajeto, a corrente do Golfo passa pela América do Norte e chega até a Europa. Nesses países, as águas elevam a temperatura dos lugares por onde passam (na Europa, aqueles que estão na parte ocidental do continente). Quando percorre a Inglaterra, a evaporação e a condensação das águas do Mar do Norte causam a famosa névoa invernal de Londres.

Ao chegar na direção da Noruega, onde encontra massas de água muito mais frias e menos salgadas, a corrente se desloca para o Equador, pelas profundezas do oceano. Lá, ela empurra para cima águas mais frias e menos salgadas, que se aquecem e completam o ciclo da corrente.

Corrente de Humboldt

Trata-se de uma corrente de superfície de águas frias — aliás, as mais frias do mundo — que passa pelo Oceano Pacífico. Sua origem está nas regiões próximas à Antártica, de onde segue para as costas do Peru e do Chile. Essa corrente é muito rica em vida animal — carregando tanto zooplâncton como peixes — e vegetal, além de estar relacionada à ocorrência do fenômeno El Niño.

Corrente do Brasil

O Brasil também tem as suas correntes, que determinam o clima por aqui. A corrente marítima Sul Equatoriana é uma massa de águas quentes e que se origina na região equatorial do globo terrestre. Essas águas se subdividem em duas: a corrente das Guianas, que segue para o norte da América do Sul, e a corrente do Brasil, que vem na direção do nosso país e percorre a zona costeira no sentido norte-sul.

É justamente essa nova massa de água, ainda quente, que aquece o litoral do Nordeste, favorecendo também a procriação das espécies marinhas da região.

Corrente de Labrador

A Corrente de Labrador tem origem na região polar. No mar da Groenlândia, forma-se uma massa de águas frias que segue para o sul da ilha, até o Mar de Labrador. Ela continua descendo rumo ao sul, passando pela costa leste do Canadá, até se fundir com a corrente da Flórida, já no território dos Estados Unidos.

A massa fria provoca o resfriamento nas temperaturas da região — é por causa da corrente de Labrador que acontece o congelamento das águas do litoral de Nova York e do estado do Maine.

Corrente de Bengala

Também conhecida como Corrente de Benguela, essa massa de águas se forma na parte oeste do Oceano Atlântico Sul — portanto, próximo da costa oeste da África do Sul. De lá, ela viaja rumo ao norte, até a direção aproximada da província de Benguela, em Angola.

Essa corrente está relacionada à formação do deserto do Kalahari, que abrange boa parte dos territórios da Namíbia, África do Sul e Botswana. Suas águas frias levam vapor de água da África do Sul para dentro do continente. Contudo, a condensação desse vapor faz com que o ar chegue seco ao continente, formando o grande deserto.

Apesar de serem as principais, essas correntes não são as únicas. As águas salgadas do globo terrestre são entrecortadas por uma enorme variedade de massas que se deslocam em zonas diferentes, interferindo no clima daquela região. As massas de água que se formam em zonas equatoriais — como a formada no Brasil e a corrente do México — são as correntes quentes. Já aquelas que se originam em zonas polares, como a de Humboldt, de Bengala e a Circumpolar Antártica, são as correntes frias.

Como aplicar esse conhecimento?

Por mais que as vertentes anticientíficas que pregam a inexistência do aquecimento global tenham ganhado mais voz nos últimos anos, as mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas nas últimas décadas é real. Entender essas mudanças e as dinâmicas causadas por elas é fundamental para conseguir planejar os negócios e evitar prejuízos.

O gestor que compreende o papel das correntes marítimas consegue, por exemplo, traçar um plano estratégico para cenários que envolvam fenômenos naturais como o El Niño ou La Niña. Saber da ocorrência desses acontecimentos pode fazer toda a diferença na agricultura e na pesca.

Em outra perspectiva, se o seu negócio faz exportações ou importações, conhecer a influência das correntes na formação dos nevoeiros e no deslocamento de icebergs pode ajudar no planejamento da logística das cargas. Essas movimentações também afetam o ecossistema marinho, tendo consequências no setor da pesca.

As análises sobre as dinâmicas das correntes marítimas servem, acima de tudo, para que o gestor saiba traçar planos de contingência para seu negócio de acordo com os cenários que podem se formar graças aos deslocamentos naturais de massas de água. Esses dados, muitas vezes, mostram-se fundamentais para evitar prejuízos e otimizar os recursos.

A partir das informações apresentadas aqui, você conseguirá levar as correntes marítimas em consideração no planejamento da sua empresa. Além disso, como vimos, elas influenciam diversas ocorrências em todo o planeta, portanto, saber como e por que isso acontece traz grandes benefícios.

Gostou de entender melhor essa relação entre os oceanos e o clima da sua região? Então, compartilhe este artigo nas suas redes sociais e repasse o conhecimento para seus amigos!