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Cobrindo mais de 70% da superfície terrestre, os oceanos sempre foram motivos de curiosidade e apresentaram muitos desafios para os homens. Foi somente no fim do século XIX que começaram-se a estabelecer as bases para a oceanografia, campo que estuda essa dimensão do planeta.

A área é considerada uma ciência interdisciplinar, uma vez que se vale de conhecimentos de diversos outros campos, como a geologia, física, biologia e química. Também é uma área com relação direta com várias atividades econômicas modernas. 

Neste post, explicamos melhor o que é a oceanografia e como ela dialoga com o dia a dia dos negócios. Leia até o fim para descobrir mais!

O que é a oceanografia?

Dito em termos simples, trata-se do estudo das águas, em um sentido amplo. A oceanografia é a ciência que analisa os aspectos bióticos e abióticos — referentes às vidas marinhas e terrestres, e tudo que não está relacionado às espécies, respectivamente — de zonas aquáticas.

Apesar de o nome fazer referência aos oceanos, também fazem parte do escopo dessa ciência os rios, lagos, mares e outros ambientes aquáticos.

Além disso, é do domínio desse campo do saber o estudo das influências sociais em relação aos oceanos — ou seja, de que forma as dinâmicas da vida humana interferem e são moldadas pelas atividades oceânicas.

Então, é possível dizer que todos os processos naturais e artificiais que mexem com a dinâmica dos oceanos e outros ambientes aquáticos é de interesse dessa ciência. Entram, por exemplo, os fenômenos climáticos, os processos físicos e químicos e outros aspectos. Sendo assim, a oceanografia se divide em quatro grandes áreas, veja quais são.

Física

Estuda os fenômenos físicos que acontecem nos oceanos. Alguns exemplos são as correntes marítimas, os tsunamis e as chamadas “ressacas”, casos como El Niño e La Niña, entre outros.

Química

Estuda a composição química das águas, como as pesquisas sobre a poluição de mares, oceanos e rios, o impacto de diversas substâncias químicas e dejetos industriais sobre esses ambientes e de que forma tudo isso afeta a cadeia alimentar.

Biológica

Essa área estuda os organismos vivos (animais, plantas, algas, microrganismos e fungos) que vivem nos ambientes aquáticos e de que forma eles se relacionam entre si e com o próprio ambiente. A oceanografia biológica também analisa os impactos da atividade humana sobre a vida desses seres.

Geológica

Nessa área são feitos os estudos do fundo dos oceanos e de suas margens e regiões costeiras. O relevo, a composição do solo e a interação dos sedimentos e das rochas com o ambiente fazem parte do escopo dessa ciência.

Para que ela serve?

Ao contrário do que se pensava há algumas décadas, a água não é um recurso sem fim. Estamos lidando com uma escassez cada vez maior de águas doces em nosso planeta, mas as salgadas dos oceanos também estão sob forte ameaça.

A oceanografia é a ciência capaz de determinar um uso sustentável e responsável dos recursos dos oceanos. É, também, responsável por emitir laudos e pareceres sobre situações que envolvem mares e oceanos — como no caso do enorme vazamento de óleo de um cargueiro na China, que espalhou uma mancha do tamanho da cidade de Paris pela água.

Também são os estudos oceanográficos que auxiliam na determinação de limites para atividades econômicas como a pesca e a aquicultura, de forma que essas ocupações não levem ao risco de extinção das espécies nativas.

Medidas preventivas em outros setores

Atualmente, muitas atividades humanas ainda são desenvolvidas em águas marítimas ou são fortemente influenciadas por elas. Alguns exemplos são a geração de energia eólica offshore, a exploração de campos de petróleo, o trânsito de navios de carga e até do turismo de passageiros em cruzeiros.

Todas essas atividades precisam de um conhecimento profundo dos oceanos e de suas dinâmicas para prosperar. Fatores como ventos, correntes marítimas, ondas, relevo do fundo do mar, salinidade das águas e diversas outras características têm influência direta sobre esses negócios.

E para todos os desafios impostos por essas condições, a oceanografia é capaz de dar valiosas respostas. Tais informações permitem que essas áreas trabalhem de forma preventiva, otimizando o uso dos recursos naturais e evitando prejuízos para as empresas.

Como a meteorologia trabalha com essa área?

As forças naturais e os fenômenos meteorológicos que envolvem os mares e oceanos podem ser muito violentos, com grande potencial para a geração de danos. A previsão do tempo, em conjunto com as demais informações sobre o ecossistema dos oceanos, fornece inúmeras informações preciosas.

Saber quando haverá uma tempestade pode, por exemplo, fazer um capitão de navio mudar a rota, ou resolver esperar alguns dias antes de zarpar para um novo trecho de sua viagem.

Por outro lado, se os ventos estiverem fortes demais, as empresas de geração de energia eólica devem desligar os moinhos, uma vez que há o risco de uma das pás — estruturas enormes, que medem dezenas de metros e pesam algumas centenas de quilos — se soltar e causar um acidente.

Até mesmo os próprios oceanógrafos beneficiam-se diretamente do monitoramento atmosférico. Sair ou não para uma determinada expedição dependerá das condições do tempo na época prevista para a viagem.

Isso porque, além de a segurança dos pesquisadores estar em jogo, existem alguns fenômenos e dados que só podem ser observados sob condições climáticas específicas. 

Por fim, há ainda a questão das mudanças climáticas que vêm sendo observadas nas últimas décadas. As alterações no clima do planeta têm tido inúmeras consequências, como o aumento nos níveis dos oceanos devido ao derretimento das calotas polares.

Outro exemplo, são as mudanças drásticas nas cadeias alimentares de determinadas regiões, devido às alterações nas temperaturas das águas. E há, ainda, a questão da interação entre as massas de ar que pairam sobre os oceanos e as manifestações meteorológicas no restante do globo.

Tudo isso é estudado, sob diferentes perspectivas, tanto pela oceanografia quanto pela meteorologia. A previsão climática é uma atividade que complementa muito bem as análises oceanográficas, e todas essas informações permitem uma atuação mais segura na tomada de decisões e no planejamento.

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